A Guerra das Calças

24 março 2010 comentários
Há pouco comentava com minhas filhas o quanto a gente teve que brigar por algumas coisas que hoje ninguém poderia imaginar, e nem faz tanto tempo assim. Em 1970 eu trabalhava como auxiliar  de mídia da Denison Propaganda. Para quem não sabe, São Paulo gela no inverno e ainda mais no alto da Av. Paulista, é duro... Tinha que pegar um  onibus e andar  dois quarteirões (no salto alto) para chegar ao escritório. Um buraco de ar-concionado aberto, se encarregava de gelar nossas pernas o dia todo. Pois bem, um dia me enchi de coragem e meti uma calça comprida e fui trabalhar. Imaginem. A secretária sisuda do meu chefe carrancudo, o Hélio Abud, mando me chamar ao gabinete e mandou sem dó:
- Mas o que é isso? Você não sabe que não admitimos mulheres trabalhando com calças?
Respondi calmamente:
-Não foi para me mandar tirar as calças, num frio desses, que você me chamou para esse particular não é?
Graças a Deus ele riu e pudemos conversar sobre o absurdo da exigência. Daquele dia em diante, as moças do departamento de mídia da Denison puderam trabalhar tranquilamente, mais discretas e elegantes com suas calças compridas.
Isso parece brincadeira, mas não é mesmo. É só uma das incontáveis batalhas que a mulher travou e ainda trava contra o preconceito e a desigualdade.

Recebí por email esse recorte de jornal publicado em Portugual em 1969 com a foto "escandalosa" das alunas da Faculdade de Letras de Lisboa.

Pensa que acabou esse tempo? Que nada!! Há pouco tivemos o  caso da Geise  , aluna da Unibam que foi expulsa da faculdade por causa da indumentária.  É mole ou quer mais?

Isso é que é criatividade!!!

13 março 2010 1 comentário
Veja que solução interessante para transportar seu laptop sem gastar nada e sem chamar a atenção, afinal, com tanto bandido solto pela rua a gente tem que encontrar um jeito de ficar quase invisível rss. Sabe aquele moletom com capuz que quase todo mundo tem? Pois é, veja o que essa menina fez.

Feminina - Ô mãe, me explica, me ensina...

08 março 2010 comentários
O Dia Internacional da Mulher, celebrado em a 8 de Março tem origem nas manifestações femininas por melhores condições de trabalho e direito de voto, no início do século XX, na Europa e nos Estados Unidos. A data foi adotada pelas Nações Unidas, em 1975, para lembrar tanto as conquistas sociais, políticas e econômicas das mulheres como as discriminações e as violências a que muitas mulheres ainda estão sujeitas em todo o mundo.
 Desde então, a data também tem sido utilizada para fins meramente comerciais, perdendo-se parcialmente o significado original. (Fonte: Wikipédia)

Bom, como boa uma  brasileira que  não perde um motivo para celebrar a vida, separei esse samba gostoso da Joyce para marcar a data e dar "um gás" nessa segunda-feira.
Parabéns garotas, meninas, mulheres e senhoras de todo o mundo!
 


Feminina
(Joyce)

- Ô mãe, me explica, me ensina, me diz o que é feminina?
- Não é no cabelo, no dengo ou no olhar, é ser menina por todo lugar.
- Então me ilumina, me diz como é que termina?
- Termina na hora de recomeçar, dobra uma esquina no mesmo lugar.
  Costura o fio da vida só pra poder cortar
  Depois se larga no mundo pra nunca mais voltar


- Ô mãe, me explica, me ensina, me diz o que é feminina?
- Não é no cabelo, no dengo ou no olhar, é ser menina por todo lugar.
- Então me ilumina, me diz como é que termina?
- Termina na hora de recomeçar, dobra uma esquina no mesmo lugar.
   Prepara e bota na mesa com todo o paladar
   Depois, acende outro fogo, deixa tudo queimar


- Ô mãe, me explica, me ensina, me diz o que é feminina?
- Não é no cabelo, no dengo ou no olhar, é ser menina por todo lugar.
- Então me ilumina, me diz como é que termina?
- Termina na hora de recomeçar, dobra uma esquina no mesmo lugar.
   E esse mistério estará sempre lá
   Feminina menina no mesmo lugar

Numa segunda-feira dessas...

22 fevereiro 2010 comentários

Não é brinquedo não! Acordar, caminhar, alongar, escolher e botar feijão de molho pro almoço do marido que precisa engordar, enquanto eu luto com uns 20 kilos de 'sobrepeso'...

Correr pro escritório, ligar o PC, responder emails, resolver B.O. (boletim de ocorrencia) encarar o trabalho e errar uns códigos que bagunçam tudo o que você demorou horas para desenvolver. Oh dó.

Uia! Onze e meia!!! Hora de ir pro fogão (com um calor desses)...

"Vai ser coxo na vida é maldição prá homem, mulher é desdobrável. Eu sou." - Foi o que disse a Adélia Prado. Deixo meu pedido de perdão eterno aos homens mas, eu tenho que concordar.

Bão, e se a gente parasse tudo para escrever no Olhar Feminino hein?
Ótima idéia!!!! Então, vou compartilhar um texto da Hilda Hilst, que tem tudo a ver com esse meu dia.




Tô Só

Crônica de Hilda Hilst para o “Correio Popular” de Campinas-SP

Vamo brincá de ficá bestando e fazê um cafuné no outro e sonhá que a gente enricô e fomos todos morar nos Alpes Suíços e tamo lá só enchendo a cara e só zoiando?

Vamo brincá que o Brasil deu certo e que todo mundo tá mijando a céu aberto, num festival de povão e dotô?

Vamo brincá que a peste passô, que o HIV foi bombardeado com beagacês, e que tá todo mundo de novo namorando?

Vamo brincá de morrê, porque a gente não morre mais e tamo sentindo saudade até de adoecê? E há escola e comida pra todos e há dentes na boca das gentes e dentes a mais, até nos pentes?

E que os humanos não comem mais os animais, e há leões lambendo os pés dos bebês e leoas babás?

E que a alma é de uma terceira matéria, uma quântica quimera, e alguém lá no céu descobriu que a gente não vai mais pro beleléu?

E que não há mais carros, só asas e barcos, e que a poesia viceja e grassa como grama (como diz o abade), e é porreta ser poeta no Planeta?

Vamo brincá
de teta
de azul
de berimbau
de doutora em letras?

E de luar? Que é aquilo de vestir um véu todo irisado e rodar, rodar…

Vamo brincá de pinel? Que é isso de ficá loco e cortá a garganta dos otro?

Vamo brincá de ninho? E de poesia de amor?

nave
ave
moinho
e tudo mais serei
para que seja leve
meu passo
em vosso caminho.

Vamo brincá de autista? Que é isso de se fechá no mundão de gente e nunca mais ser cronista?

Bom-dia, leitor.

Tô brincando de ilha.

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